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11/3/13

Sucupira ou Pará de Minas ?

Na noite de hoje a Câmara Municipal decidirá em reunião ordinária, sobre a denominação do prédio da edilidade em vias de ser inaugurado. Um assunto banal, que tomou proporções grandiosas, por antepor como indicados, dois ex-vereadores, um vivo e o outro falecido há alguns anos. Defensores das duas causas vêm se digladiando na tribuna, nos microfones radiofônicos, nas páginas dos jornais, na televisão e nas redes sociais. Lamento que nossos representantes estejam gastando tempo e dinheiro do erário em assunto tão desmesuradamente desimportante. A Câmara Municipal já possui instrumentos para homenagear pessoas vivas: são os “Diplomas do Mérito Legislativo”, entregues a cada ano, no dia do aniversário da cidade; a “Menção Honrosa” que é entregue quase que em todas as reuniões semanais, a pessoas indicadas; o “Diploma de Cidadão Honorário” e o “Diploma de Cidadão Benemérito”. E ainda existe uma condecoração, uma Medalha, criada em 1980, por projeto de lei de autoria deste escriba que aqui vos fala, concedida por um Conselho, que conta com vereadores na sua formação. É a Medalha Benedito Valadares, até hoje concedida a cinco ou seis pessoas apenas. Para recebê-la o cidadão precisa ter seu nome aprovado pelo Conselho. É a grande condecoração de Pará de Minas, que precisa ser colocada em uso. E quanto mais cidadãos forem homenageados com todos esses diplomas e medalha , melhor. Eu também defendo a tese de que homenagem boa é aquela que se presta e se recebe em vida. Mas tudo neste mundo tem limite, se não é o caos. Aos cidadãos prestantes falecidos, foi prática até dois ou três anos passados, homenageá-los dando seus nomes a logradouros e prédios públicos. Na Inglaterra, pais que não tem uma Constituição, adota-se a “Carta Magna” de mais de setecentos anos, que prescreve que “usos e costumes são fontes de direito”. No Brasil adotou-se vários preceitos da Carta inglesa, assim, o uso e o costume do povo paraense de Minas vêm sendo violado, quando passa a ser empregado esse sistema que tem cheiro de bajulação, de se dar o nome de vivos a logradouros e prédios públicos, até por que levam a vantagem sobre eventuais concorrentes que já partiram, pois vivos, podem sair por aí promovendo o próprio nome, no que se pode chamar de inescrupulosa aquisição de apoios. Até mesmo em Sucupira, a fictícia cidade da antológica novela “O Bem Amado”, que foi ao ar pela primeira vez há quarenta anos, os políticos tinham mais compostura neste quesito. O prefeito da cidade, coronel Odorico Paraguaçu, após concluir a principal obra prometida em campanha, um cemitério, viu-se em apuros para inaugurá-lo, pois as pessoas pararam de morrer em Sucupira, tão logo a obra ficou pronta. Odorico, político inescrupuloso, para quem , maquiavelicamente, os fins justificavam quaisquer meios , passa então a listar prováveis candidatos à defuntice. É quando acontece a cena antológica, do prefeito com o farmacêutico corno, que a cada vez que a mulher o deixava, tentava se matar. Odorico vai à casa dele e praticamente coloca o vidro de veneno em suas mãos, antes porém garante ao chifrudo que morrendo e sendo o primeiro a ser enterrado no cemitério, terá direito a cortejo com a banda de música local executando a marcha fúnebre de Chopin, placa de bronze alusiva à pioneirice pregada na entrada do cemitério, discurso de despedida na beira do túmulo, estátua e nome em rua. Homenagens que em Sucupira só se prestavam aos mortos. Hoje à noite saberemos se Sucupira é aqui.
criado por luizvianadavid    9:05 — Filed under: Sem categoria

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